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sexta-feira, 27 de junho de 2008

Nhami,nhami.


Fred e Zé vieram aqui em casa.
Dia mais chuvoso. Uma maravilha.
Tentamos assistir Imagine, um filme que Zé me emprestou de John Lennon. Mas aí fomos ver o resultado da Bahiana e enfim... :/

Depois decidi fazer um yakissoba de galinha.
Demorou um séééculo, mas saiu.
Ficou meio aguado e tal, e faltou galinha também.
No mais, até que comeram tudinho.
Fiquei muito orgulhosa :D
Da próxima vez, faço com um macarrão mais apropriado.

Dei mais risada que comi ou comi e dei risada proporcionalmente.
Eles me divertem demaaaais.
Um mais besta que o outro.


Já tô com saudades.
:)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Aleatória.


Segundo os astros, cancerianas são oceanos, campo vasto entre águas,
que aconchega, sensibiliza, abriga. Grande mãe dos signos. Ou algo assim.No horóscopo xamânico, sou um pica-pau.Minha missão na vida é aprender a usar sua força emocional no plano da matéria. Imaginação e sua simpatia são muito grandes, diz a sabedoria dos nativos.
No chinês, um cavalo:"não prima pela fidelidade, mas pela inconstância."
Pode ser um falador por excelência e um convencido por contingência.
Agora já sei tudo que preciso saber sobre mim.
Ou quase.
Numerologia :Universalista, intuitivo, emotivo, nervoso.
Agradável é a palavra-chave neste caminho. Você é entusiasmado, feliz, criativo, intuitivo, imaginoso, versátil e energético. É intelectual, otimista e um líder natural. Deve sempre se expressar verbalmente, pois tem o dom das palavras. Pode fazê-lo na forma de falar, escrever, representar ou cantar. Você tem uma boa imaginação e a usa criativamente. É intuitivo e se sai muito bem no trabalho mental. É amistoso, e os amigos significam muito para você. Quer ter beleza, alegria e felicidade ao seu redor. Tem sempre idéias novas e originais para resolver seus problemas. Você deveria seguir seus pressentimentos. Cuidado com as seguintes vibrações negativas: críticas excessivas, impaciência, bisbilhotice, ciúme, falta de estima por si mesmo, intolerância.
Pronto. Tudo explicado agora: falta do que fazer
me faz acreditar quê:
(...)

_______________________________________________________
Ontem fiquei com vontade de abraço, de cigarro, de Billie Holiday até o amanhecer.
Cheguei em casa já quatro da manhã; debruçada na cama, estudei geometria espacial.
Meu segredo é que sou rapaz esforçado, diz o verso de Waly Salomão, poeta que nasceu aqui em Jequié mesmo. Ele sabe do mal secreto.

domingo, 22 de junho de 2008

Meteoro-lógica.


Um mapeamento desse vendaval perene, nuances de calmaria condensada. Precipitação em dezoito anos de chuvas, enxurradas. Coraceano no pacífico, entre ilhas e fossas,
mais, mais, mais samba: e excesso de bossa. Tempestades condensadas, relampejo um dia; no outro, águas. Rarefeita entre vapores, gases: odores ácidos. Nimbus no alto, sombras, carregadas nuvens: chuviscos recentes no chão, terra, asfalto. Previsão de turbulências ou tornados. Chuvas em mim sem horário.Para mudar de clima, só meteoro acidental, vindo lá do topo, de cima.

sábado, 21 de junho de 2008

Entre Bandeirolas.


Lembro que na oitava série, ou tempos antigos, olhava os quadros de Volpi com uma curiosa comicidade de como poderia ter feito sucesso.


Aqui ,em Jequié, tudo me lembra Volpi.

E não tenho dúvida do fascínio que as bandeirolas exerciam sobre ele: ele agora está exercido em mim.



"Volpi nasceu em Lucca, na Itália, em 1896.Sempre valorizou o trabalho artesanal, construindo suas próprias telas, pincéis. As tintas eram feitas com pigmentos naturais, usando a técnica de têmpera.Foi um auto didata. Sua evolução foi natural, tendo chegado à abstração por caminhos próprios, trabalhando e dedicando-se a essa descoberta. Nunca acreditou em inspiração.Alfredo Volpi não participou dos movimentos modernistas da década de 20, apoiados pela elite brasileira. Manteve-se à parte desses grupos. Não teve acesso aos mestres europeus, como era comum na época. Nos anos 50, as bandeirinhas das festas juninas, de Mogi das Cruzes, integraram-se às suas fachadas. Posteriormente, destacou-as do seu contexto original. A partir da década de 60, suas pinturas são jogos formais: todos os temas são deixados de lado e as bandeirinhas passaram a ser signos, formas geométricas compondo ritmos coloridos e iluminados.Volpi morreu aos 92 anos, em 1988, em São Paulo. "

domingo, 15 de junho de 2008

Duas versões de uma mesma história.



Do lado de dentro.



Acordar cedo, banho, café, torradas, escova os dentes. Estudar e não cantar hinos evangélicos: isso soa como um ótimo planos. E antes fosse.Livro, páginas, cálculos, fórmulas, fórmulas...Exatas só com música. Ajuda a concentrar. Pego o Cd de Nina Simone que ele fez para mim. Dia frio, Cd certo. Telefone por perto, assim não tenho que levantar, caso ele toque. Ah, quem disse que telefones tocam dia de domingo pela manhã? Praia, igreja, cama: qualquer coisa que sossegue, qualquer coisa desligada. Telefone toca, depois de ter falado com ele.
"Oi, vó." ( ligando numa hora dessas?)
"Seu pai..."
"Não está"
"Diz a ele que..."
"Aviso."

Será que é urgente? Vai saber. Faz tempos que ele tá assim.
Depois liga minha tia. Nem irmã de meu pai é. É casado com meu tio Pio, irmão de fato.
"Seu pai...?"
"Não..."
"Avisa pra ele..."
"Certo. Pode deixar."

Um mais um dois?

Tio Jorge liga:
"Seu avô..."
Não, meu tio não procurava meu pai.
Procurava uma mensageira.
Serviço de outro mundo.

Tia Alda liga avisando lugar e horário.
Já não quero atender o telefone: coloco-o longe de mim, debaixo da terra também.
Pego o relógio e já não conto minutos.
Conto piscadelas, expira, inspira, que horas eles chegam, agonia, que nervoso,
vou comer, ouvir música, estudo mais nenhum.

Som do portão se abrindo.
Barulhinho dos infernos.

Grade. Cadeado.
"Pai: minha tia Ana ligou, tia Alda, tio Jorge e vó. Todos disseram que meu avô não está bem."

"Foi? Deve ter sido porque não queriam dizer que seu avô morreu,não?"

"Dizer eles disseram , pai. Eu que não quis falar o mesmo."

Meu pai sobe as escadas para se arrumar.
Eu já estou bagunçada, desorganização total.
Meu pai vai para o enterro de meu avô que morreu.
Meu pai deveria ir por enterro do pai dele.
Queria que meu avô e o pai de meu pai fossem a mesma pessoa.
E são.

Nessas horas, acho que não.






Duas versões de uma mesma história.

Do lado de fora

Manhã de domingo. Pais saíram para a igreja com a irmã. Ela ficou para estudar.
Computador desligado, som ao lado, telefone quieto. Geometria espacial, prismas,
pirâmides, ao cubo, no cubo. xícara de chá, Nina Simone no som.
Em números, cálculos muitos, o telefone toca. Três vezes.
"Oi, Vó.", ela escreve enquanto escuta sem muita atenção.
"Seu pai tá aí, filha?"
"Tá não..."
"Pede pra ele ligar pra mim, viu? Seu avô tá piorando."
"Aviso, sim. Beijos, vó."
Desliga sem surpresa muita. Sete meses na UTI, avô pior já não assusta.
Cinco anos ou mais sem vê-lo. Lembranças poucas.
Telefone toca: é tio, é tia, é parente: e meu avô só piora.
Telefone toca: é tio, dizendo que o pior é apelido de coisa já feita.
"Avisa pro seu pai, querida?"
"Aviso, aviso...Mas como?"
"Fala que seu avô faleceu. Todo mundo já esperava."

Ela não.

Família chega em casa.

"Pai -cabisbaixa- meu tio Jorge ligou, tia Ana ligou, tia Alda ligou,
Vó ligou e todos disseram que meu avô não tá bem."

" Foi? Eles não queriam dizer que seu avô morreu, não?"

"Eles disseram. Eu que não quis dizer."

E o pai foi para São Sebastião para o enterro
do avô da menina, que ele não chamava de pai dele.
Choveu.